É muito comum transferir aos filhos os nossos sonhos, gostos pessoais e até a maneira de encarar a vida. Mas a tarefa de educar exige o reconhecimento de que cada indivíduo tem uma identidade singular – e ela pode ser bem diferente da dos pais.
Respeitar a individualidade dos filhos é uma das grandes tarefas da maternidade e paternidade. Segundo a psicoterapeuta Eliana Pommé, o despertar dos potenciais de cada criança é o caminho para uma educação humana e plena. “É preciso oferecer aos filhos oportunidades para que eles possam descobrir e desenvolver aptidões próprias, colocando-os em contato com a música, a arte, o esporte, o teatro, o cinema, entre outras expressões”, afirma.
Diante de tantas possibilidades de desenvolvimento, desde pequenas, as crianças já podem dar sinais de suas preferências, cabendo aos pais reconhecê-las e estimulá-las adequadamente. O desafio é olhar para o filho como indivíduo e não como nossa continuidade. “Entre mãe, pai e filho, há inevitavelmente uma mistura de enredos. Por isso, precisamos dedicar um tempo para repensar nossas vidas e separar as histórias”, diz Eliana.
A psicoterapeuta exemplifica com a sua própria experiência. Ela conta que nunca teve habilidades esportivas; no entanto, seu filho mostrou-se muito ágil com atividades corporais. “Ele aprendeu cedo a andar de bicicleta e patins e a fazer traquinagens, como subir em muros e telhados. Essa disposição mostrou o seu gosto pelo esporte. Hoje, com 18 anos, meu filho é atleta do remo e tem muitas medalhas. Incentivá-lo foi atitude importante para que ingressasse na vida adulta mais feliz e realizado”, destaca.
Brincar define identidade
Nestes tempos em que homens e mulheres trabalham muito e têm pouco tempo para estar com os filhos, uma boa experiência é aproveitar os momentos juntos buscando mais qualidade nas relações. Além de ser divertido, brincar com os filhos é uma forma de estar presente de maneira intensa e estimulante para os pequenos.
As crianças são muito criativas e seus desejos estão todos ali, esperando um solo fértil para desabrochar. O importante é buscar atividades prazerosas para ambas as partes. Pintar, modelar, ouvir música, jogar bola, cozinhar junto são algumas brincadeiras que as crianças gostam e que estimulam a criatividade, além de criar oportunidades para que elas definam seus dons e gostos pessoais.
“Na hora de brincar, não devemos nos comportar como professores, preenchendo a criança de tarefas. Basta propor atividades lúdicas e permitir que a identidade do pequeno aflore. Brincar é essencial para elaborar as vivências emocionais e entender o mundo. E isso sempre fica melhor quando nossos filhos podem se expressar com liberdade, autonomia e felicidade”, conclui a psicoterapeuta.



